domingo, 10 de março de 2013

Sobre Valor

Eu olhei para a minha vida e percebi:
Está tudo certo. Amigos, trabalho, casa, meus dias...
E coisas incríveis me acontecem sempre.

Então eu me olhei e percebi que ela continuava aqui, a sensação de que um pedaço me faltava.
E aquela insegurança constante. E a angústia.

A impressão que tenho é que eu e minha vida só valemos algo se alguém me diz 'olha isso que você é/fez: você tem valor'. E por algum tempo eu achei que era algo relacionado a pessoas por quem eu me apaixono. Mas não é. É, especialmente, por qualquer pessoa que eu preze/respeite/admire (não ouso dizer que seja exclusivamente, contudo).
E eu fico me perguntando... e eu? E minha opinião sobre mim e meus sucessos?
Mas eu vejo os minhas falhas, entre ações e percepções. E as acho enormes e inadmissíveis.
E minha vontade é me esconder embaixo da cama e ficar lá para sempre.

Acredito que algumas falhas que algumas sejam mesmo inadmissíveis mesmo - mas não todas. E acredito também que elas não devem anular acertos. Eu não posso acordar um dia sendo outra pessoa. E preciso me lembrar isso sempre.
Sim, existem coisas a trabalhar, a melhorar. E algumas delas vão demandar tempo.
Mas eu estou aqui hoje. Agora.
E quero muito, muito ser feliz. E ter o que oferecer àqueles que amo (e a mim).
E está tudo certo...
Então eu não aceito, sob hipótese, ser a pessoa que se põe no meu caminho.










Respire.



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segunda-feira, 4 de março de 2013

Da Necessidade

Certos dias, tudo que eu quero fazer é pedir desculpas por ser quem eu sou.
E se eu pudesse, rastejaria por aí ao invés de andar.

Nesses dias, eu preciso tomar cuidado com cada pensamento, cada palavra.
Pois eu me recuso a me desculpar por ser simplesmente.




Mas o que fazer, nesses dias, com a sensação de que é para mim, mais do que a qualquer outra pessoa, que, por ser quem sou, eu sinto necessidade de pedir perdão?



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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Não Hoje


Não é um vazio. Não dessa vez.

Eu costumo sentir um grande vazio no peito.

Não hoje.

Hoje eu sinto.

Eu costumo, pelo menos no passado recente, ser um grande poço de ansiedade e medos.

Não hoje.

Hoje eu tenho paz. E amor. E gratidão.

Eu costumo ter medo dos fins ou dos desencontros da vida.

Não hoje.

Hoje eu tenho fé em mim --

Fé na vida, nas pessoas e no universo.

Às vezes, tudo que eu queria era conseguir um mapa. Para não me perder de mim ao me perder na vida; para não me perder em mim ao me perder da vida.

E poder voltar sempre aqui.

Eu sei, eu sei. Não há mapa. É preciso dar um passo de cada vez. E a confiar nos próprios passos, ainda que não se saiba bem onde pisar no escuro. E sem saber bem onde os caminhos, tanto os meus quanto os da vida, vão levar.

E voltar aqui apenas quando possível for.

E tudo bem. Quando consigo raspar o medo que se acumula em cada junta do meu corpo, é uma delícia caminhar sem saber exatamente por onde estou andando.

Quando eu sei exatamente quem eu quero ser. E onde quero chegar em mim – pois a vida é para se perder.

Dias como hoje.



Eu costumo sentir um grande vazio no peito.

Não hoje.

Hoje eu sinto.

Amor, gratidão, fé.

Hoje eu tenho paz. E me sinto um pouco menos...

Só.



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Para Não Esquecer

Eu me esqueci.
Eu me criei um santuário, um espaço de intimidade onde eu posso me encontrar
E lembrar daquilo que não se deve esquecer...

E me esqueci.



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domingo, 22 de maio de 2011

Clandestinidade

Algo mudou.

Eu senti a mudança ocorrendo nos últimos dias. Lentamente. Em mim.

Como se fosse uma calmaria, uma tranquilidade.

Agora eu tenho um segredo, um espaço. Que funciona quase como um esconderijo, meu refúgio.

Num misto de prazer e culpa, eu caminho me sentindo mais leve.

E pouco me importa que o meu refúgio seja feito apenas de palavras.



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Um Dia Desses

Um dia desses as coisas não iam tão bem.

Um dia desses nós nos encontramos para um simples almoço.

Um dia desses nós diminuímos um pouco o tamanho daquela saudade.

Um dia desses nós desabafamos e conversamos sobre as situações em que a vida às vezes nos coloca.

Um dia desses você me disse que achara até recentemente que o ronronar do seu gato era pigarro.

Um dia desses eu chorei de rir.



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sexta-feira, 20 de maio de 2011

O Porquê

Acho que não conseguiria começar senão me explicando. Não entendo o motivo de minha necessidade, apenas respeito. E a vontade de começar fingindo desentendimento, indo direto ao ponto, já no motivo de ter criado um blog (aliás, eu ainda não acredito que fiz isso, nem sei como vai funcionar, ou mesmo SE vai, nem nada), pra começar? É grande. Mas eu preciso de uma introdução. Simplesmente pelo mesmo motivo de tudo referente a este espaço: Por mim.

Eu criei este espaço (a palavra blog me incomoda... não consigo levá-la a sério) em função de uma combinação complicada: Uma necessidade incontornável de externalizar pensamentos, sensações, impressões; mania de selecionar demais o que eu digo; mania de esperar a hora certa de dizer. Isso sem contar os pensamentos que só funcionam quando escritos.

Eu precisava de um espaço.

Eu tentei passar a fazê-lo nas redes sociais. Mas não funciona. Eu não gosto de jogar indagações e reflexões ao vento. Sensação de que ninguém se importa. Não que eu esteja julgando. Eu não me importo. E sinto vergonha alheia de vez em quando. É. Não funciona.

E o resultado? Eu venho sentindo que estou me afogando em pensamentos. Simplesmente por falta de espaço para divagar. E senti necessidade de uma boia.

Talvez a descrição correta fosse 'Para não me afogar no mar de ideias'...



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