Não é um vazio. Não dessa vez.
Eu costumo sentir um grande vazio no peito.
Não hoje.
Hoje eu sinto.
Eu costumo, pelo menos no passado recente, ser um grande
poço de ansiedade e medos.
Não hoje.
Hoje eu tenho paz. E amor. E gratidão.
Eu costumo ter medo dos fins ou dos desencontros da vida.
Não hoje.
Hoje eu tenho fé em mim --
Fé na vida, nas pessoas e no universo.
Às vezes, tudo que eu queria era conseguir um mapa. Para não me
perder de mim ao me perder na vida; para não me perder em mim ao me perder da
vida.
E poder voltar sempre aqui.
Eu sei, eu sei. Não há mapa. É preciso dar um passo de cada
vez. E a confiar nos próprios passos, ainda que não se saiba bem onde pisar no
escuro. E sem saber bem onde os caminhos, tanto os meus quanto os da vida, vão
levar.
E voltar aqui apenas quando possível for.
E tudo bem. Quando consigo raspar o medo que se acumula em cada junta do
meu corpo, é uma delícia caminhar sem saber exatamente por onde estou andando.
Quando eu sei exatamente quem eu quero ser. E onde quero chegar em
mim – pois a vida é para se perder.
Dias como hoje.
Eu costumo sentir um grande vazio no peito.
Não hoje.
Hoje eu sinto.
Amor, gratidão, fé.
Hoje eu tenho paz. E me sinto um pouco menos...
Só.
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